Cooperativa não quer autorizar reparo em concessionária

Cooperativa não quer autorizar reparo em concessionária

Carro está na garantia de fábrica, sofreu colisão e entrou como terceiro em cooperativa. O que fazer se ela não autorizar reparo em concessionária? Veja aqui!

Recebemos a seguinte dúvida de um visitante aqui do blog:

Não sei se esse é o canal certo para este tipo de pergunta, mas se puder me ajudar agradeço.

“Bateram na minha moto recentemente e o causador disse que ia acionar a associação dele para arcar com o conserto. A associação é a Nobre Associação Veicular. Fiz o boletim de ocorrência, fiz 3 orçamentos e mandei para a associação. Mas a mesma quer que eu faça o serviço na credenciada deles. Só que não posso aceitar, pois além de minha moto ser toda original e ter manutenções na autorizada da marca, o termo de garantia da minha moto é bem claro, qualquer manutenções ou ação na moto que não seja na autorizada, eu perco minha garantia, que no caso são 4 anos (minha moto tem apenas 1 ano de uso). Além do mais, podem nessa oficina, colocar qualquer peça, seja paralela ou até mesmo usada e neste caso perco tanto a garantia quanto a confiabilidade da minha moto.
Já tentei acordar com a associação outras vias, mas sem sucesso. O que eu posso fazer?”

No post de hoje responderemos essa questão com orientações para quem entra como terceiro em serviços de proteção veicular de cooperativas ou associações e tem o reparo em concessionária negado.

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Veículo na garantia atendido por cooperativa

Como funciona nas seguradoras autorizadas

Sempre que um veículo, moto ou carro, está na garantia de fábrica, é necessário que reparos que envolvam parte mecânica ou elétrica sejam feitos em concessionária para que o veículo não perca a garantia. No caso de reparos exclusivamente em funilaria em princípio não existe essa exigência, mas é importante estar atento aos termos da garantia.

Em seguradoras autorizadas pela SUSEP, não é permitido direcionar segurados ou terceiros que tem veículo na garantia para oficinas que não sejam concessionárias do fabricante. Nas seguradoras autorizadas, sempre que ocorre um sinistro envolvendo veículo dentro da garantia de fábrica, o conserto é obrigatoriamente feito em concessionária da marca, para não perder a garantia.

Esse procedimento não costuma constar em contrato: é uma prática de mercado das seguradoras autorizadas, na medida em que já sabem que é direito do segurado ou terceiro exigir o conserto na concessionária quando existe garantia do fabricante ainda vigente. Como a SUSEP exige que elas atuem dentro do Direito do Consumidor, essa prática já vem sendo incorporada há décadas.

Apesar disso, pode acontecer de não dar acordo de primeira entre seguradora e concessionária. Quando existe a motivação da garantia de fábrica para escolher a concessionária e a seguradora considera os valores acima da média de mercado, costuma ocorrer um de duas opções:

  • Ou a seguradora e a concessionária negociam até chegar num acordo. O corretor de seguros pode ajudar o segurado ou terceiro, apresentando 3 orçamentos de oficinas não concessionárias para que a concessionária ajuste ainda que parcialmente seu orçamento;
  • Ou não dá acordo naquele local e a seguradora sugere a remoção do veículo para uma outra concessionária onde saiba que irá dar acordo.

Cooperativa pode fazer diferente?

Diferente das seguradoras autorizadas, as cooperativas e associações de proteção veicular não tem autorização da SUSEP. Por conta disso, muitas delas atuam fora da regulamentação e boas práticas que existem para o mercado de seguros.

O relato do nosso visitante é um exemplo: Ele está sendo atendido como terceiro por uma associação e, pelo que ele conta, não aceitam fazer o reparo em concessionária ainda que ele comprove que a moto está na garantia do fabricante. A depender da cooperativa ou associação, isso poderia acontecer também com associados ou cooperados.

O que fazer se a cooperativa não autorizar reparo em concessionária?

Em situações como a de nosso visitante é importante não ceder para não perder a garantia de fábrica. Nesses casos, a recomendação é a seguinte:

Passo 1: Documente tudo por escrito

Primeiro documente por escrito as conversas com a associação ou cooperativa. Pode ser por e-mail, whatsapp ou até carta protocolada na unidade deles. Nessa conversa você deve explicar que o carro ou moto está na garantia de fábrica até o ano “x” e que por isso precisa que o reparo seja feito em oficina concessionária.

Se houver mais de uma oficina concessionária em sua cidade, proponha essas opções na conversa. Isso ajuda a mostrar que está disposto a ir em diferentes prestadores, mas que precisam ser necessariamente ser concessionária do fabricante.

Passo 2: Avalie qual o melhor caminho para você

Se a associação ou cooperativa insistir em não autorizar o reparo em concessionária, há dois caminhos possíveis:

  • Caminho 1: Faça o orçamento do conserto na oficina normal e na concessionária. Apresente os orçamentos à associação para que eles lhe indenizem pelo menos o valor que seria cobrado na oficina normal (peças + mão de obra). Faça o reparo na concessionária, arcando apenas com a diferença de valores.
    Atenção: Você não precisa fazer este caminho se não concordar em arcar com a diferença! É seu direito exigir a realização do conserto em concessionária se estiver dentro da garantia. Mas pode ser que você não queira prolongar muito a situação, aí nesse caso este é um caminho válido.
  • Caminho 2: Insista no reparo feito na concessionária até esgotar todas as possibilidades. Se mesmo após tudo isso não conseguir, abra reclamação no SAC e Ouvidoria da associação ou cooperativa. Se eles não tiverem SAC e Ouvidoria, abra reclamação em algum canal externo como por exemplo o ReclameAqui ou Consumidor.gov. Anote e guarde os protocolos desses atendimentos.
    Com as conversas e protocolos em mãos, converse com o causador da colisão e proponha de ele lhe indenizar e depois se acertar com a associação dele. Se nem associação nem causador ajudarem depois disso, busque as Pequenas Causas ou orientação de um advogado para processo judicial. Poderá ser necessário fazer o reparo por conta para tentar reaver os valores na Justiça.

E se tiver seguro próprio?

Pode acontecer de o veículo que está entrando como terceiro na associação ou cooperativa ter um seguro próprio em seguradora autorizada pela SUSEP. Neste caso, existe a opção de acionar o próprio seguro.

Para acionar o seguro para consertar o veículo é necessário que o orçamento fique acima da franquia. Neste caso, o segurado pagará a franquia (independente de ser vítima na colisão) e a seguradora cobrirá a diferença.

Como ele foi vítima, poderá solicitar do causador do acidente o ressarcimento da franquia. A seguradora dele (vítima) poderá procurar o causador para solicitar o ressarcimento da diferença que foi coberta por ela.


E você, já precisou entrar como terceiro numa associação ou cooperativa? Seu veículo estava na garantia? Correu tudo bem?

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Sobre Jessica

Economista (Unicamp) e Corretora (ENS), especialista em Direito e Economia (Unicamp), com MBA Executivo em Tendências de Inovação (Inova Business School),é desenvolvedora da Muquirana Seguros Online, Maior Tira-Dúvidas Gratuito sobre Seguros da Internet e Diretora na DM4 Corretora de Seguros.

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