Deu perda total no seguro: posso ficar com o veículo?

Deu perda total no seguro: posso ficar com o veículo?

Seguro deu perda total no veículo. Posso receber indenização e ficar com o carro? E pedir o conserto ao invés da PT? Confira respostas aqui!

Recebemos a seguinte dúvida do nosso visitante Wagner:

“Gostaria de saber se o carro dando perda total posso fazer um acordo pra ficar com ele? E qual seria o valor aproximado do acordo com a seguradora, num veiculo de 12 mil reais?”

No post de hoje responderemos essa questão, mostrando as cláusulas contratuais sobre falam sobre a transferência do veículo em caso de perda total e negociações para ficar com o salvado.

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Seguro e Salvado de Perda Total

O primeiro esclarecimento sobre esse assunto é que não é possível receber indenização integral da seguradora e ao mesmo tempo ficar com o veículo sinistrado.

Sempre que ocorre um sinistro de indenização integral, o salvado do veículo é transferido para posse da seguradora. É como se ela estivesse comprando um veículo avariado pelo valor de um veículo em estado normal.

O mesmo vale para peças trocadas em sinistros de perda parcial, quando o conserto é possível. As peças danificadas antigas são consideradas salvados e passam a ser de propriedade da seguradora.

Geralmente esta regra está prevista na cláusula de “Salvado” das Condições Gerais. As Condições Gerais são as cláusulas contratuais da apólice e podem ser encontradas no site de cada seguradora. Abaixo separei exemplo de uma cláusula deste tipo, na seguradora Porto Seguro.

Já que existe essa regra prevista em contrato, o segurado interessado em ficar com o veículo num sinistro de perda total deve escolher entre um dos caminhos:

  • Receber indenização integral, transferindo o salvado para a seguradora, sem ficar com o carro;
  • Pleitear que não seja considerada perda total, solicitando o reparo ao invés da indenização integral, podendo assim ficar com o veículo.

Este último caminho requer negociação com a seguradora, que analisará o pedido, podendo acatar ou recusar. A flexibilidade para aceitar isso muda a depender se o indivíduo é segurado da apólice ou terceiro sendo atendido na apólice do segurado. Abaixo veremos como fica para cada um.

Mas antes, cabe uma ressalva:

Se o veículo era alienado (em financiamento ou consórcio), também existe o caminho da substituição de garantia. Nela, a indenização do seguro é usada para trocar o veículo sinistrado por um novo na dívida. Para saber como isso funciona, leia este outro post.

A) Se está acionando próprio seguro

Como existe uma relação contratual entre segurado e seguradora, a seguradora sempre poderá se ater ao que consta previsto em contrato. Ou seja, a tendência é que nos casos de perda total, ela seja inflexível sobre o caminho de pagar indenização integral mediante transferência do salvado do veículo.

Apesar disso, nada impede o segurado de tentar pleitear um caminho diferente. É possível solicitar à seguradora que ao invés da indenização integral, seja considerada perda parcial e seja feito o reparo do carro.

Para isso é necessário fazer uma solicitação formal à seguradora, por meio do corretor responsável pela apólice ou do analista de sinistro da seguradora. A solicitação estará sujeita à análise e poderá ser acatada ou recusada.

Para aumentar as chances de ser aceito, é importante observar alguns pontos: Para ser considerado PT, é necessário que os custos do reparo ultrapassem 75% do valor do carro. Nesse caso, a seguradora pagaria indenização integral e ficaria com o salvado.

No caso de perda parcial (conserto), ela não fica com salvado. Portanto, para fazer sentido para ela autorizar o conserto ao invés da PT, sem ter prejuízos, é necessário que ela gaste menos de 75% do valor do veículo. Qualquer valor acima disso, valeria mais a pena ela se ater ao contrato, dando PT e ficando com o salvado.

Por isso fica a sugestão de, em situações assim, propor que a seguradora arque com um valor inferior a 75% do valor do veículo e a diferença fique a encargo do segurado interessado em ficar com o carro.

Claro, é apenas uma sugestão. Os termos da negociação são livres e cada um pode propor o que julgar mais adequado.

B) Se é vítima entrando como terceiro no seguro do causador

Diferente da relação entre segurado e segurado, não existe contrato entre terceiro e seguradora. Isso faz com que a conversa seja relativamente mais flexível (mas não muito).

Em princípio a seguradora usará o critério de 75% de danos para formalizar a perda total. Como não há relação contratual que obrigue o terceiro a aceitar esse percentual, ele pode pleitear cenários diferentes.

Assim como no caso do segurado, a solicitação estará sujeita à análise, podendo ser acatada ou recusada. Tudo dependerá da negociação entre as partes.

De partida, a negociação já é mais flexível por se tratar de terceiro e não segurado. Mas ainda assim depende de qual é a seguradora, de suas regras internas, dos termos da negociação, etc.

Recomendamos seguir a mesma sugestão dada aos segurados sobre o valor do orçamento do reparo. Porém, cabe a cada um decidir como negociar e o terceiro é livre para propor os termos que julgar conveniente.

Exemplo de negociação

Caso você opte por seguir nossa sugestão, fizemos aqui um exemplo para ficar mais fácil de entender.

Vamos usar como exemplo os valores trazidos pelo nosso visitante Wagner em sua pergunta: um veículo de 12 mil reais.

O veículo de Wagner deu perda total, mas ele deseja propor à seguradora de consertar o veículo ao invés de receber a indenização integral e transferir o salvado à seguradora.

Para ser considerado PT é necessário que o orçamento do reparo seja igual ou superior à 75% do valor do carro, ou seja, 75% x 12.000 = 9.000 reais. O orçamento da oficina ficou em 10.000 reais e a franquia da apólice era de 1.000 reais.

Se Wagner topar seguir o contrato, considerando PT, ele receberá 12.000 reais e transferirá o salvado do carro à seguradora. Não há franquia em sinistros de indenização integral.

Agora, se Wagner quiser propor à seguradora de consertar o veículo ao invés de dar PT, precisará fazer um proposta. Um possível caminho é, por exemplo, propor de ela cobrir 8.000 (abaixo dos 75%, critério de PT). A solicitação vai para análise e a seguradora aceita. Como passa a ser um sinistro de perda parcial, haverá cobrança de franquia. Nesse caso, a seguradora cobrirá 8.000 e o Wagner pagará a franquia (1.000) e a diferença que houver (1.000),

Reforço que esse é apenas um exemplo de proposta. O segurado ou terceiro podem desenhar suas propostas como bem entenderem. Também vale lembrar que a seguradora pode acatar ou recusar a proposta conforme seus próprios critérios.


E você, já passou por algum processo de negociação com sua seguradora? Como foi a experiência?

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Sobre Jessica

Economista (Unicamp) e Corretora (ENS), especialista em Direito e Economia (Unicamp), com MBA Executivo em Tendências de Inovação (Inova Business School),é desenvolvedora da Muquirana Seguros Online, Maior Tira-Dúvidas Gratuito sobre Seguros da Internet e Diretora na DM4 Corretora de Seguros.

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