O que é “agravo de risco” no seguro automóvel?

O que é "agravo de risco" no seguro automóvel?

Sabia que a maioria das recusas de sinistro nos seguros de automóvel ocorre por agravo de risco? Mas afinal, o que é “agravo de risco”? Confira já aqui!

Sempre que a cobertura de casco do seguro de automóvel é acionada, a seguradora solicita uma descrição da ocorrência e documentos para análise. Em alguns casos excepcionais, pode ocorrer recusa do sinistro. Nesses casos, a seguradora deve informar o motivo. O líder nº 1 dos possíveis motivos é o “agravo de risco” (ou “agravamento de risco”).

No post de hoje explicaremos o que é isso e daremos exemplos importantes para todo segurado.

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Agravo de risco no seguro automóvel

O que é “agravo de risco” no seguro?

O agravo de risco – ou agravamento do risco – pode ocorrer de duas formas no seguro de automóvel:

  1. Quando o segurado ou motorista segurado pratica ação ou omissão que aumenta o risco de ocorrer um sinistro;
  2. Quando o segurado ou motorista segurado pratica ação ou omissão que amplia os danos em caso de sinistro.

1) Aumento do risco de sinistro

O aumento do risco de sinistro está principalmente relacionado a divergências no Perfil de Risco. Vamos explicar:

Ao fazer um seguro, o consumidor responde várias questões relacionadas ao veículo e ao principal condutor. É comum chamar essas perguntas de “Perfil de risco” ou “Questionário de Avaliação de Risco”. Elas servem para mensurar o risco e precificar o seguro.

Quando o negócio é fechado, passa a existir um contrato entre consumidor (segurado) e seguradora. Dentre as muitas cláusulas contratuais, a seguradora estipula que o segurado tem obrigação de avisar sobre alterações no Perfil de Risco que possam aumentar o risco.

É o caso por exemplo de um veículo que antes era dirigido por alguém mais velho e agora é dirigido por alguém mais jovem (sendo necessário mudar o principal condutor); ou um veículo que antes era guardado em garagem no trabalho mas agora não é mais (necessário informar seguradora); ou um veículo que antes era de uso particular e agora passou a ser de uso comercial (necessário informar seguradora); dentre outros exemplos.

Se ocorre um sinistro e a seguradora verifica que o risco era maior do que aquele informado pelo segurado na apólice, ela pode recusar o sinistro alegando que o risco foi agravado – ou seja, o risco foi aumentado sem que ela fosse informada.

Por isso, a dica nº 1 sobre agravamento de risco é: mantenha o Perfil de Risco do seguro atualizado. Se houver qualquer alteração, solicite ao corretor da apólice para fazer um endosso.

Apesar de essa ser a situação mais comum, também pode ocorrer aumento do risco de sinistro estando com todo Perfil de Risco em dia. São aquelas situações nas quais o sinistro ocorre por alguma ação do motorista segurado que, por imprudência, deixa o veículo muito mais exposto ao risco de danos.

É o caso por exemplo de alguém que dirige embriagado; ou decide atravessar uma rua alagada estando num local seguro; ou deixa o veículo destrancado na rua; entre outros exemplos.

Daí a dica nº 2: Não tome decisões que ampliam o risco de dano ao seu veículo, ainda que ele tenha seguro e esteja com Perfil de Risco em dia! Comportamentos arriscados geram recusa de cobertura!

2) Ampliação de danos

A ampliação de danos durante um sinistro ocorre quando o motorista age (ou se omite) de modo a aumentar os danos ao veículo segurado. Os danos poderiam ser bem menores, mas por escolhas do segurado, acabam sendo bem maiores.

O exemplo clássico disso é o veículo que sofre colisão com potenciais danos mecânicos e, ao invés de chamar o guincho da assistência 24h, o motorista segurado opta por seguir dirigindo, agravando os danos no motor. Outro exemplo é quando o veículo é pego por alagamento e o motorista segurado opta por tentar ligar o carro e dirigir ao invés de chamar o guincho, causando calço hidráulico.

Por isso, a dica nº 3 é: Em caso de sinistro, tome as medidas necessárias para deixar você e o veículo em segurança! Tome os cuidados necessários para minimizar os danos ao carro ou moto! No caso de colisão ou alagamento, chame o guincho. No caso de roubo ou furto, chame a polícia e faça B.O. assim que possível.

Onde consta isso?

Quando o consumidor faz um seguro, é emitida uma apólice e passa a existir um contrato entre ele e a seguradora. Nas cláusulas contratuais é de praxe a seguradora estipular que o segurado tem o dever de manter o Perfil de Risco atualizado, evitar comportamentos de risco e tomar as providências possíveis para minimizar os danos caso ocorra sinistro.

Cada seguradora tem suas próprias cláusulas contratuais, que podem ser encontradas nas “Condições Gerais” disponíveis nos sites de cada uma delas.

Exemplos comuns de agravo de risco

Abaixo listei alguns dos exemplos mais comuns de agravo de risco no seguro de automóvel. Mas atenção: Há outras situações além dessas! Siga sempre as dicas que dei acima para garantir que não está agravando o risco ;)

Exemplo 1: Motorista mais jovem

A grande maioria das seguradoras faz alguma pergunta sobre eventuais motoristas de 18 à 25 anos. Algumas também perguntam sobre residentes nessa faixa etária.

Se o segurado tiver informado que não há eventuais condutores na faixa etária estipulada pela seguradora como “jovem”, não haverá cobertura se alguém nesta faixa dirigir e se envolver em sinistro.

Outro detalhe importante é sobre o principal condutor. Se o motorista principal passar a ser alguém mais jovem, é obrigatório endossar a apólice para atualizar isso. Se a seguradora verificar que quem dirigia a maior parte do tempo na verdade era mais jovem do que o principal condutor estipulado na apólice, ela poderá recusar sinistro.

Exemplo 2: Garagem

Imagine que o segurado informa que tem garagem na casa, mas algum tempo depois se muda para um local sem garagem. Se ocorrer sinistro e a seguradora verificar isso, poderá haver recusa por agravamento de risco.

O mesmo vale para perguntas relacionadas a garagem no local de trabalho ou estudo.

Se, por exemplo, o segurado informa que “Não estuda”, aí começa a fazer uma pós-graduação e estaciona na rua, poderá ocorrer recusa de sinistro por agravamento de risco.

Mais detalhes em “Seguro auto e garagem: como responder corretamente”.

Exemplo 3: Tipo de utilização do veículo

Toda seguradora pergunta qual o tipo de utilização do veículo, por exemplo, se particular ou se comercial.

Imagine que um veículo que antes era de uso exclusivamente particular, passou a ser usado para serviços em aplicativos de carona (Uber, 99Táxi, etc.). Se ocorrer sinistro e a seguradora verificar que tratava-se de uso comercial e não particular, poderá ocorrer recusa sob alegação de agravo de risco.

O mesmo vale para outras utilizações comerciais, como transporte de mercadorias, visita de clientes, etc.

Exemplo 4: Beber e dirigir

Evidentemente não há cobertura para acidentes com motorista embriagado, afinal, trata-se de infração de trânsito e crime. Mas não custa reforçar: Ainda que o motorista não se sentisse alcoolizado porque bebeu só um pouco, a seguradora sempre recusará sinistro se verificar que ele dirigia sob efeito de álcool.

Exemplo 5: Enfrentar enchentes ou dirigir após alagamento

Se o motorista está num local seguro e se depara com uma área alagada, a recomendação é que sempre permaneça onde está e não enfrente a enchente. Se a seguradora verificar que houve enfrentamento da enchente, recusará por agravo de risco. É diferente de situações em que o veículo é pego repentinamente pela água: nesses caso não há agravo de risco e a cobertura é normal.

Agora, imagine que o veículo foi pego repentinamente por enchente, mas ao invés de chamar o guincho da assistência 24h, o motorista segurado opta por tentar dirigir. O motor sofre calço hidráulico, constatado pela oficina na vistoria. Poderá ocorrer recusa do sinistro se a seguradora tiver evidências que o motorista segurado agravou os danos.

Saiba mais em: “Seguro auto e enchente: 6 principais dúvidas”

Exemplo 6: Não chamar o guincho

Imagine que o motorista segurado se envolve numa colisão com danos perceptíveis, mas opta por seguir dirigindo ao invés de chamar o guincho do seguro. Sem perceber que vasava óleo, o motor sofre danos irreparáveis por circular após bater. Se a seguradora tiver evidências disso, poderá ocorrer recusa do sinistro por agravo de risco.


E você, já conhecia esses exemplos de agravamento de risco? Lembrou-se de mais algum não listado aqui?

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Sobre Jessica

Economista (Unicamp) e Corretora (ENS), especialista em Direito e Economia (Unicamp), com MBA Executivo em Tendências de Inovação (Inova Business School),é desenvolvedora da Muquirana Seguros Online, Maior Tira-Dúvidas Gratuito sobre Seguros da Internet e Diretora na DM4 Corretora de Seguros.

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